domingo, 15 de agosto de 2010

II. Bonsai

- Nelio, Nelio! Acorda! Nelio!
- Hã? O que...?
-Querido acorde, a noite você vai ficar sem sono e vai perambular pela sala feito fantasma...
-Bah... ok, mãe.

Foi até o Freezer e tomou o resto do leite que lá tinha, notou que olhos curiosos o fitavam.

-Você sempre fora guloso assim?
-Olá pra você também, Helena.
-Meu priminho voltou. ebaaa! -disse dando o um abrasso forte.
-Sinto um leve tom de ironia na sua voz -disse após se soltar dela
-Claro! Seu passatempo é me repreender não lembra?
Ele riu e concluiu "Verdade, deve ser porque você só quer ser reeprendida por mim" e foi para sala novamente assistir TV. Sentiu um certo tédio em ver clipes românticos, não que ele não acreditara naquilo tudo mas que era meio nostálgico. O tédio só aumentava, fora sair. Pegou seu casaco de "puro branco", como Helena dizia por ser tão branco quanto a neve, e foi.

Andou sem rumo até chegar na entrada de um parque. Pin's Park era o nome. O lugar perfeito para um encontro familiar e um bom namoro. Tinha pinheiros por todas partes (daí o nome "pin". A metade da quantidade de árvores do local era de Pinheiros), a grama era totalmente verde, quase um neon escuro com arbustos de roseiras brancas perto de um gigantesco lago no meio do parque. Era comum encontrar animais como lobos e gatos selvagens por terem uma quantidade grande de alces. Algumas alcatéias se fixaram perto daquele local e foram familiarizados com os visitantes do parque, não lhes faziam mal se houvesse uma distância considerada segura a eles. O lago tinha uma água cristalina e pura, quase daria para beber se não fosse os peixes que alí tinham aos montes, de várias espécies como Carpas e Bagres (que eram a maioria).

Nelio se sentia em paz naquele lugar, era como se ele entrasse num transe automático. Tinha uma árvore que era praticamente "sua". Uma árvore que lembrava bastante um Bonsai Japonês de uns 15 ou 14 metros de altura e no topo, os galhos grossos se entrenhavam formando uma espécie de "rede" em que Nelio sempre ficava lá encolhido entre os galhos sempre para pensar e lembrar de uma certa garota. Alexandra nunca saiu de sua cabeça e nem de sua gravidez. Adoraria ver como era seu bebê. Será que tinha os olhos perolados do pai e o cabelo em tom de chocolate da mãe? ou será que tinha um cabelo negro paterno e olhos achocolatados maternos?

-Que idiotice... Se ela tivesse abortado, teria ficado em Nagasaki... E se, ela não abortou? BAAAAH! QUE COISA IDIOTA! -disse assim que deitou na "rede"
-Falando com o bonsai?
-AAH que susto, Hanna!
-Então o que o Salomão disse é verdade... Você tá aqui.
-Não, sou uma miragem. Isso tudo é um sonho teu.
-Também senti sua falta, primo. Nós sentimos.
-Como assim "nós"?

Tarde demais, Hanna já estava longe. "Mas que droga!" ele afirmou depois socou um dos galhos com força e o partiu.

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